A soldada de quatro patas que cumpriu sua missão

Labradora Astra sai de cena depois de dedicar a vida a resgates e salvamentos.

A soldada de quatro patas que cumpriu sua missão

Mancilla trabalhou e cuidou da cachorra Astra após ela encerrar as atividades junto aos bombeiros

 

A labradora atuou junto ao Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina durante oito anos. Sua vida foi praticamente toda dedicada aos serviços de busca, resgate e salvamento dentro da corporação. A “vaga” foi conquistada graças a muito trabalho e dedicação, dela e de seus condutores. No início o cabo bombeiro Fernando Luiz Gastaldi e depois o cabo bombeiro Jorge Mancilla, com quem permaneceu até sua partida.

Astra atuou em 28 ocorrências entre 2006 e 2014, quando se aposentou. Tinha como maior habilidade o trabalho em atendimentos aquáticos. A cachorra trabalhou em oito ocorrências de afogamento onde através do faro localizou com precisão vítimas com até 6 metros de profundidade, sendo destaque na época em ocorrências dessa natureza.
Além desses casos, Astra tinha em seu currículo inúmeros cursos, treinamentos, seminários, simulações e provas de certificação, alcançando a classificação tanto em provas de nível nacional certificadas pela Associação de Cães de Busca e Resgate do Brasil (Abresc), como em provas em nível internacional, certificadas pela International Rescue Dog Organization (IRO), maior órgão mundial no que se refere à busca e resgate com cães. Conquistou duas certificações nacionais e duas internacionais de busca, resgate e salvamento

A labradora auxiliou, inclusive, nas buscas em regiões afetadas pela catástrofe climática de 2008, marcando presença em Ilhota e Blumenau.

A cachorra nasceu em outubro de 2005 e entrou para a corporação em 2006. Astra estava com 12 anos e meio, ou seja, era uma senhorinha na idade canina, mas tinha uma energia de um filhote, conta o cabo Mancilla.

O tutor encontrou a cachorra na sua casinha na sexta-feira (2) pela manhã. Relatou que ela estava na posição que dormia, como se ainda estivesse num sono, mas já sem vida.

Desde 2014, quando encerrou suas atividades junto ao Corpo de Bombeiros, Astra vivia na casa do cabo Jorge Mancilla, na cidade de Ituporanga, com outros dois cães. Ela foi o último cachorro de busca do Corpo de Bombeiros de Rio do Sul. Antes, a corporação contou com o apoio de Mika e Preta.

Nas redes sociais a irmã de Mancilla, Jaqueline Mancilla expressou a dor da perda e o respeito pelo animal. “Chegou tua hora, Astra, mas fizestes tua obra já… triste pro meu irmão, triste para tantos que sentirão também tua falta, mas ficará na memória do coração da gente teus serviços prestados. Apesar de ser um cão, auxiliou muito mais vidas do que muitos humanos ajudam uns aos outros… Saudades Astra”.

Em outro post, o amigo de farda Evandro Amorim enalteceu a parceria entre homem e cão. Disse: “Cadela Astra, 12 anos, aposentada do CBMSC, partiu hoje para outro plano espiritual. Astra e Jorge Mancilla, seu condutor, formaram um dos melhores binômios que já conheci. Ao parceiro Mancilla, meus sentimentos. À Astra, meu respeito e muito obrigado por tudo que fez nessa existência.”

Poderia ter sido “só” mais um cachorro. Mas não foi

Astra deixou um legado para a região do Alto Vale. Fez com que, por anos, os olhos da população se voltassem para seu trabalho e dedicação. Dessa forma, contribuiu para que outros tantos animais obtivessem mais respeito por parte de seus tutores.  Mais do que servir a comunidade, teve o nobre papel de mostrar o quanto de amor e fidelidade esses seres iluminados nos proporcionam.

Para quem ama esses serezinhos, a dor da perda do bombeiro Mancilla, se torna nossa dor. Uma vida se passa como um flash na memória. Eles são só cães. Esses bichinhos de quatro patas que quando pequenos roem sapatos, fazem xixi em qualquer lugar.

Como protetora e tutora de 19 cães e gatos, escrevo com lágrimas escorrendo pela face. Meus animais foram todos resgatados. Não sei ao certo quantos anos tem. Mas sei que os pelos brancos neles, significam o mesmo que os nossos cabelos brancos. A idade chega! Como nós, os passos ficam difíceis. O andar é lento, a coluna dói, os dentes caem. A audição já não funciona como antes. Se tornam resmunguentos, dormem mais cedo. Mas, mesmo com toda dificuldade imposta pela idade, o rabo vai sempre abanar quando você chegar. Eles são assim: vivem tão pouco e passam a maior parte da vida a nos esperar. Vivem menos, porque já nascem sabendo amar de um jeito que levamos a vida inteira para aprender.

 

Por Isabel Caetano

Diário do Alto Vale

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