Safra termina com cebola comercializada a R$3,50 o quilo

Aumento repentino do preço foi tema do 30º Seminário Nacional da Cebola.

Safra termina com cebola comercializada a R$3,50 o quilo

30º Seminário Nacional da Cebola (Foto: Divulgação)

 

O fechamento da safra de cebola 2017/2018 foi de surpresas para os produtores da região do Alto Vale do Itajaí. Com falta da hortaliça no mercado nacional, os preços pagos pelo quilo do produto chegaram a R$ 3,50, preço bem superior ao da média de comercialização que ficou em torno de R$ 1,00 a R$ 1,20 nesta safra.

A alta repentina no preço da cebola foi um dos assuntos em destaque durante o 30ª Seminário Nacional da Cebola que foi realizado na cidade de Campo Magro, Paraná, entre os dias 23 e 26 de abril. O evento contou com a participação de uma comitiva formada por agricultores e técnicos da região.

Um dos palestrantes do evento foi o coordenador da Câmara Setorial da Cebola em Santa Catarina Daniel Rogério Schmitt. Segundo Schmitt esse aumento no preço não estava previsto. “Não havia uma previsão de preços tão altos, a informação que tínhamos é que como a safra catarinense e a do Sul do país havia sofrido um pouco com a estiagem a oferta do produto era menor neste ano, e isso faria com que no final da safra, ou se recorreria a importação ou que ou que outras regiões pudessem suprir a demanda do produto”, explica.

O coordenador da Câmara Setorial explica ainda que a alta no preço é reflexo direto de uma quebra na safra na Bahia. “Irecê, teve problemas com chuvas em excesso. A cebola baiana era pra entrar no mercado no mês de abril como costumeiramente ocorria, mas nesse ano isso não aconteceu. A oferta da hortaliça produzida no estado é pequena e com produto de baixa qualidade. A expectativa é que a oferta dessa cebola deve se normalizar a partir da segunda quinzena desse mês de maio, o que deve regularizar um pouco mais a situação dos preços pagos pela cebola aqui na região e também no país”, ressalta.

Alem de aumento de preço, a falta de cebola no mercado nacional estimulou a importação do produto de outros países em especial da Argentina.  Daniel Schmitt que também é coordenador regional da Epagri no Alto Vale, explica que nesse momento o mercado nacional está sendo abastecido principalmente pela cebola Argentina, seguida pela cebola catarinense e alguma coisa da cebola do Nordeste. “Nossas estimativas apontam que há no estado catarinense entre 2% a 3%, o que equivale em torno de 5 a 8 mil toneladas de cebola ainda a ser comercializada, o que é uma quantidade extremamente  pequena, e a safra está mesmo sendo finalizada no estado”, pontua.

Expectativa para a próxima safra

O aumento significativo do preço trouxe alegria e alívio para os produtores que ainda possuíam o produto armazenado, mas também deixa preocupação com relação à preparação para a próxima safra. Já que o bom preço pode incentivar os produtores a aumentarem as áreas.

Para Daniel Schmitt, coordenador da Câmara Setorial da Cebola em Santa Catarina, a ampliação da área deve ocorrer de forma natural. “A produção na nossa região esta estabilizada e não existe mais espaço para produtores aventureiros. O que pode acontecer é que os agricultores que já estão no setor, façam uma pequena ampliação de área, já que terão mais recursos, mas historicamente temos visto que isso tem influenciado em torno de 5% a 10% no máximo”, ressalta.

O coordenador acrescenta que essa ampliação de áreas preocupa porque se as condições climáticas forem favoráveis pode ocorrer uma super produção o que culmina com baixos preços para a comercialização. “Foi o que aconteceu na safra passada, quando os agricultores comercializaram a hortaliça durante um período de 5 a 6 meses com preços abaixo do custo de produção”, relembra.

Nas demais regiões produtoras do país a tendência deve ser a mesma. Segundo Daniel, pelas informações que foram repassadas durante a realização do Seminário Nacional da Cebola a única situação que pode prejudicar os produtores catarinenses é a antecipação na safra de Irecê, na Bahia. “Deve se manter essa intenção deles de produzir cebola para colher a partir de abril e competir com esse espaço que era normalmente da comercialização da cebola catarinense e da cebola importada, mas tem esses problemas de situações climáticas que afetam eles nesse período do ano, que foi o que ocorreu nessa safra e eles não conseguiram bom resultado. As colheitas normais dessa região, com certeza maior de obter bom resultado nessas regiões são de julho, agosto e setembro em diante”, aponta.

Alfredo Wagner será sede do 31º SENACE

A edição do Seminário Nacional da Cebola deste ano de 2018, foi realizado na cidade de Campo Magro, estado do Paraná e recebeu centenas de agricultores e técnicos de todo o país. Da Região da Cebola, uma comitiva com cerca de 40 pessoas, entre agricultores e técnicos participou do evento.

Para 2019 o evento voltará a ser realizado em Santa Catarina e Alfredo Wagner ficou definida como a cidade sede para o evento. “Por ordem seria a vez de São Paulo sediar o evento, mas resolveram adiar para 2020 na cidade de Monte Alto, e ano que vem será então em Alfredo Wagner, já que houve interesse manifestado por parte da administração municipal”, explica Daniel.

Daniel comenta ainda que não existe ainda uma data definida para a realização, mas a expectativa é que deva coincidir com a realização da Expofeira Nacional da Cebola que provavelmente ocorra em Ituporanga no ano de 2019 e assim é possível divulgar as duas cidades que são importantes na produção da hortaliça na região produtora.

Temas debatidos durante o SENACE

Durante os dois dias do encontro foram tratados assuntos relacionados ao cultivo da cebola no país. Na quarta-feira, 25 os temas tratados foram os seguintes: Agrotóxicos e impactos na saúde do trabalhador rural e na alimentação humana; O futuro da cebolicultura no Brasil e influência do Mercosul e outros países;  Panorama climático para os Estados Produtores de Cebola do Brasil; Sucessão Familiar e a Cebolicultura; Crédito Rural para a Cebola e Agricultura Familiar;   O manejo e controle de ervas daninhas.

Já no dia 26, quinta-feira, as palestras foram realizadas abordaram a Produção de cebola frente as mudanças climáticas; Manejo nutricional, curvas de   absorção de acordo com cultivares; Plantio Direto na palha e uso de plantas de cobertura; Armazenamento, embalagem e pós-colheita de cebola;  Painel da Produção Nacional de Cebola e do MERCOSUL para o ano de 2018, traçando as perspectivas para a próxima safra.

Fortalecimento da ANACE

Além de falar sobre a produção da cebola, outro assunto que entrou em pauta durante a realização do 30º SENACE, foi o fortalecimento da Associação dos Produtores de Cebola do Brasil (ANACE). A discussão que começou no Paraná ganhou força e foi tema de reunião também em Ituporanga, nessa sexta-feira, 04.

O encontro na Capital da Cebola, foi organizado pela Associação de Produtores de Cebola de Santa Catarina (APROCESC), foi realizado na Câmara de Vereadores e contou com a presença do presidente da Associação Nacional da Cebola Rafael Corsino. “A intenção é que os produtores de cebola sejam sócios da ANACE e colaborem financeiramente para que possamos dar sequencia aos trabalhos e as lutas pelos produtores, como foi a batalha para a inclusão na LETEC”, explicou.

Luiz Carlos Laurindo, presidente da Aprocesc explica que a contribuição foi pensada da seguinte forma: R$50,00 por ano e por hectare para pequenos produtores e R$ 100,00 por ano e por hectare para grandes produtores de cebola. "Não é um valor tão significativo para os produtores, mas para a associação fará diferença e os reflexos serão sentidos diretamente pela cadeia produtiva", comentou.

As fichas para ser sócio estão distribuídas em escritórios agrícolas, com produtores e também membros da Aprocesc.

 

Por Authentica Comunicação Integrada

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